A mãe – Melanie Golding [Opinião]

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A mãe
Melanie Golding
Opinião

“Ainda estava à espera da vaga de amor. Aquela que se sentia no instante em que eles nasciam, diferente de tudo o que já se tinha experimentado. A vaga de amor de que as pessoas com filhos estavam sempre a falar. Estivera à espera dela, ansiosa. Preocupava-a o facto de ainda não a ter sentido.”

Adorei, adorei este livro! Uma lufada de ar fresco, um livro com laivos de contos de fadas e folclore! Mas vamos por partes. A história começa com Lauren, uma jovem que acabou de parir os seus filhos gêmeos. Está na maternidade e nestas primeiras páginas é descrito ao leitor todo o processo do parto e consequências que advêm dele. As dores da mãe, a incredulidade do pai, a avalanche de emoções esperadas e das que foram esperadas e não vieram. E neste caso, ainda um pouco diferentes já que em vez de um bebé, nasceram dois. Meninos: Riley e Morgan. Na segunda noite na maternidade, Lauren acorda com a sensação que algo está mal e é quando ouve alguém a cantar. A mulher com quem Lauren se depara quer levar os seus bebés. Mas Lauren fará de tudo para proteger a coisa mais preciosa que tem na sua vida.

“E depois acordou quando não havia qualquer som: por que seria que não havia qualquer som? Teria feito qualquer coisa mal, estariam os dois a sufocar? Estavam a respirar, tinham morrido? Pousou uma das mãos em cada um dos bebés e esperou pelo subir e descer, o som do ar a entrar nos pulmões, um sinal de vida. Sob a luz crua, sob as suas duas mãos, eles respiravam, eles mexiam-se, eles viviam.”

A partir daqui o leitor irá assistir como as garras da ansiedade, da paranoia e do medo cercam cada vez mais a mente de Lauren. E o pior é que ninguém acredita nela, ninguém acredita que esteve alguém na maternidade, alguém que lhe queria levar os seus bebés. Ela está stressada como qualquer mãe, mas sabe que o que viu é real. O seu marido insiste que ela precisa de descansar, de relaxar, de sair…mas a ajuda que lhe dá é mínima. Até o fatídico dia que o Riley e Morgan desaparecem e começa uma busca frenética por eles. São encontrados. Mas Lauren insiste que aqueles não são os seus bebés…
Este livro é uma montanha-russa de emoções! Desde o sentimento de frustração por não conseguirmos perceber se Lauren está a dizer a verdade ou se é tudo devido ao cansaço sentido no pós-parto. Senti muita raiva pelo marido de Lauren que sinceramente mostrou-se completamente imprestável, acabando por se revelar o anti-herói perfeito.
Gostei muito de Lauren, uma mulher que apesar da confusão e do medo, sentia que estava a fazer o que era melhor para os seus filhos. Mostrou-se uma mãe ursa no verdadeiro sentido da palavra. Mas, por outro lado, sentimos muita pena dela porque encontra-se num estado emocional extremamente instável.
O ponto fraco do livro para mim foram os capítulos da investigação policial, senti dificuldade em gostar de como a investigação estava a decorrer.
O ponto alto do livro foi sem dúvida a linha tão ténue que se sente no decorrer do livro em relação aquilo que é verdade e em relação ao que é pura fantasia. Muitas vezes ao longo do livro dei por mim a questionar-me se afinal ela estava com depressão pós-parto ou se estava realmente envolvida num conto de fadas aterrorizador.
Li o livro em apenas três dias porque a história prendeu-me logo! Não conseguia largar…e já depois de o terminar fiquei dias a pensar nele…

“Morgan e Riley estavam algures lá fora, à espera que fosse salvá-los, e ela era a única pessoa que compreendia a verdade do que estava a acontecer. As criaturas dentro dos corpos de Morgan e Riley tinham enganado toda a gente. (…) Talvez merecesse tudo aquilo, por ser uma má mãe. E talvez o merecesse porque, quando eles tinham nascido, não os amara no mesmo instante, como era suposto, como esperara que acontecesse.”

A Mãe é um thriller sombrio de cortar a respiração e de fazer as noites parecerem ainda mais escuras. Com este livro sentimos o coração a acelerar com o medo e sentimos que não conseguimos controlar o que aí vem. E o que aí vem é aterrador e tormentoso…que livro! Aguardo ansiosamente por mais livros da autora.

SINOPSE
Os gémeos têm fome.Os gémeos estão a chorar. Lauren chora. Lauren está exausta. Por detrás da cortina do hospital, alguém espera…

Após um parto traumático, Lauren está sozinha na maternidade com os gémeos recém-nascidos quando um encontro aterrorizante a meio da noite, convence-a de que alguém está a tentar roubar-lhe os filhos.

Lauren, desesperada e em pânico, tranca-se com os bebés na casa de banho até a polícia chegar.

CRÍTICAS
«Melanie Golding conta a verdade sobre o que significa ser mãe como nenhuma outra escritora desde Sylvia Platt […] Muito bem feito continuará a perturbar os leitores muito depois de o terem acabado.»
Felicity Everett, autora de Os Vizinhos do Número 9

«Fascinante, aterrador e por vezes dilacerante […]. O perturbador retrato que Melanie Golding traça da paranóia de uma nova mãe é soberbamente escrito, inteligentemente urdido e horripilantemente belo de uma maneira inesquecível.»
Annie Ward

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