Entrevista Célia Correia Loureiro

A Célia é uma das escritoras que tive oportunidade de conhecer e acompanhar desde o início. Gosto muito da sua escrita assim como das histórias que conta. Acho que foge do típico escritor português e enquadra-se numa nova era.

Espero que gostem da entrevista:

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Célia Correia Loureiro nasceu em Almada, em 1989. Licenciou-se em Informação Turística pela Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, mas garante que a sua vocação é a escrita. Desde cedo
começou a contar histórias através de ilustrações. Aos doze anos leu o seu primeiro romance e, desde aí, não parou de ler nem de escrever. Com algumas obras terminadas, apresenta-se aos leitores através da Alfarroba com este “Demência”, terminado em 2011. Explora temáticas actuais através de um olhar sobre o ombro à história nacional, intercalando frequentemente nos seus enredos uma actualidade dispersa com um passado romanceado e justificativo. Afirma que as histórias que conta não são a história de ninguém, mas que serão certamente a história de alguém.

Como eras na escola?
Na primária era tímida e meio isolada. Li há dias um relatório da minha professora que me recordou dessa minha fase. Do básico ao secundário era fonte de chacotas e difícil de levar a sério – eu também fazia por isso. No secundário comecei a aplicar-me e a partir daí tornei-me um bocadinho mais séria.

Como eras na disciplina de português?
Uma nódoa a gramática, mas muito interessada nos textos e respectivas interpretações.

Quais são as tuas ambições relativamente à tua carreira na escrita?
Leitores. Ambiciono chegar às pessoas com o que escrevo e, eventualmente, tirar disso algo de bom para mim e para quem me lê.

Que escritores te inspiram?
Não mantenho nenhum escritor em mente enquanto escrevo. Mas aprende-se um bocadinho mais a cada livro que se lê.

Além do livro “A Filha do Barão”, que livros escreveste? Onde os podemos comprar?
Escrevi vários, dos quais apenas três estão publicados. “Demência” e “O Funeral da Nossa Mãe” podem ser adquiridos através da editora directamente, mas também na Bulhosaonline e noutras plataformas online. No caso do último, podem até entrar em contacto comigo para o adquirirem novo, autografado e com dedicatória por um precinho especial.

Do teu último livro publicado qual é a tua personagem favorita? O que é que ela tem de tão especial?
O Daniel é a minha personagem favorita. É um homem com uma aura de sucesso, bastante simples, até. Apesar de bastante racional, acaba por conseguir seguir o coração e cumprir as suas promessas. Foi difícil retratá-lo com uma face tão séria e lógica, e outra tão pouco importada com o que se passava ao redor. Mas era importante que este homem, que detesta política e não tem nada de patriota, fizesse sentido.

O que te atrai neste género?
O mergulho na História. A consciência das limitações, das condições e dos moldes de vida antigos, tão diferentes dos de hoje em dia, embora por vezes os dilemas existenciais sejam intemporais.

Em que estás a trabalhar no momento?
Na continuação de “A Filha do Barão”, embora muito devagarinho.

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Fazes muita pesquisa?
Tem de ser. Embora um escritor também trabalhe com imaginação – e seja livre de criar a realidade que quiser – eu gosto que as minhas personagens se movam num contexto sólido. É essencial que eu tenha noção dos desafios da época e da sociedade específica onde se insere a acção para que possa tornar palpáveis tanto o enredo quanto as pessoas que nele se movem.

Quando decidiste tornar-te escritora?
Não foi uma decisão, e não me considero escritora. A escrita sempre foi um passatempo, um escape, uma alegria gratuita que não engorda e até traz bastantes gratificações.

Porque escreves?
Porque é a melhor terapia. E porque não saberia não escrever.

O que te fez decidir realmente começar a escrever?
A minha imaginação sempre foi demasiado fértil, e tinha dificuldades em dar-lhe vazão apenas com o lápis. O desenho parecia-me bidimensional comparado com a profundidade que se pode atribuir a uma situação através de palavras. Tinha demasiados pensamentos que precisava de ver registados, de moldar, de dar forma. Fui obrigada a escrever.

Tens uma ocasião especial para escrever ou como é o teu dia de escrita?Escreves todos os dias?
Apesar de ser bem mais produtiva à noite, tenho-me obrigado a escrever durante o dia.
Tens um objectivo de páginas por dia?
Não exactamente páginas. Geralmente é mais por “cena”. Se estou a viver um momento de angústia, ilustro tal momento. Se está um dia chuvoso, pego por outra cena. Quando o sentimento (a carga emocional de uma cena) se esgota, desligo. É difícil estabelecer um limite de quinze páginas por dia e escrever cinco de uma cena de amor, cinco sobre um assassinato e cinco sobre o funeral. São sentimentos totalmente diferentes.

De onde vêm as tuas ideias?
Da História, das histórias que já li. Mas, sobretudo, vêm do meu imaginário, dos relatos das pessoas que me rodeiam e dos meus próprios sonhos. Já disse que escrevi “O Funeral da Nossa Mãe” na sequência de um simples sonho?

Trabalhas primeiro num enredo ou escreves ao “sabor do vento”?
Geralmente faço um esquema do romance, crio o enredo e penso-o bem. Depois quando começo a aplicar cimento nesses alicerces, o cimento toma a forma que quer. Quando chego ao final e olho para o risco inicial, não é nada do que havia planeado. Por isso as personagens têm vida própria, terramotos e imprevistos sucedem e talvez seja certo dizer que trabalho ao sabor do vento.

Qual é a coisa mais difícil na escrita?E a mais fácil?
A mais difícil é procurar significância para o que se escreve. Não gosto de escrever só porque sim, seria bom se cada cena fosse essencial. A mais fácil é imaginar. A imaginação flui, mas nem os braços acompanham essa rapidez nem a minha vida me permite registar tantas ideias.

Costumas ler muito? Quais são os teus autores favoritos?
Este ano ainda só terminei três ou quatro livros. Não sei o que está a acontecer comigo. Contudo, li bastante até ao ano passado. Gosto muito de Margaret Mitchell, apesar de ela apenas ter escrito o meu adorado “E Tudo o Vento Levou”. Também adorei os livros das irmãs Brontë, “O Monte dos Vendavais” e “Jane Eyre”, a inteligência emocional de ambas pulsa à superfície das páginas. Joanne Harris sempre me trouxe grande prazer, e recentemente descobri Philippe Claudel, de uma sensibilidade e humanismo impressionantes.

Que livro estás a ler no momento?
Ontem acabei de ler “A Rapariga que Roubava Livros” e hoje continuo a 75% de terminar “Pássaros Feridos”, que tem sido uma saga e pêras.

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Falas-nos da capa do teu livro e se gostaste do resultado final.
A capa do livro está muito adequada ao conteúdo, especialmente a parte que ilustra o Porto. É o meu pormenor favorito. Gosto bastante do resultado final.

Achas que a capa tem um papel importante no sucesso de um livro?
Sem dúvida. As primeiras impressões contampara tudo. Um livro que nos faça atravessar um supermercado da secção de guardanapos até si, é sem dúvida um livro de capa bem conseguida. Mesmo que seja uma mixórdia de clichés no interior.

Achas que dar livros gratuitamente funciona na divulgação do teu livro? Porquê?
Eu penso que poderia funcionar, se as pessoas que recebem o livro se comprometerem a apoiar a literatura. Isto é, se não se sentarem apenas a ser agraciadas com o trabalho exaustivo de um autor.

Umas perguntas mais pessoais:

O que fazes para relaxar?
Pilates é perfeito para relaxar. E dormir, durmo muito.

A tua frase motivacional favorita:
Não é bem uma frase… é mais a ideia por detrás de um poema do Robert Frost. Quando ele diz que dois caminhos divergiam nos bosques e que ele, sendo apenas um viajante, não poderia viajar pelos dois. Então teve de escolher um, e escolheu o menos calcorreado. E isso fez toda a diferença. É importante para que me recorde que devo sempre escolher o meu caminho pela minha cabeça, e não porque uma estrada já foi anteriormente desbastada.

Uma frase positiva que gostes:
“O que não mata, engorda”. Digo-a imensas vezes.
Qual o teu livro favorito e porquê:
“E Tudo o Vento Levou”. É a junção perfeita de um amor conturbado, pessoas mesquinhas mas ainda assim humanas e capazes de grandes actos de coragem e altruísmo, guerra e luta pessoal. E contém a minha anti heroína favorita de todos os tempos… Scarlett O’Hara!

A tua citação favorita:
É um grande pedaço de texto. Na realidade é todo o Capítulo Sete do “Jogo do Mundo” do Julio Cortázar. Mas resume-se a isto:
“As bocas encontram-se e lutam calidamente
Mordendo-se com os lábios, apoiando apenas a língua nos dentes
Jogando nos seus cantos,
Onde um ar pesado vai e vem com um perfume velho e um silêncio
Então as minhas mãos procuram fundir-se no teu cabelo,
Acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo
Enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou peixes
De movimentos vivos, de fragrância obscura
E se nos mordermos a dor é doce,
E se nos demoramos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego,
Essa morte instantânea é bela.
E há uma só saliva e um só sabor a fruta madura,
E eu sinto-te tremer contra mim como uma lua na água.”

Qual o teu filme favorito e porquê:
“E Tudo o Vento Levou”, já o vi uma vintena de vezes, e a cada vez que o vejo arrebata-me sempre, põe-me sempre a rir e a chorar em simultâneo.

Onde te vês daqui a 5 anos:
Aos vinte e nove? Adoraria ter encomendado um primeiro filho, ter um jardim de tulipas e alfazema e mais um ou dois livros publicados.

Que personalidade (viva ou morta) gostarias de conhecer e porquê:
Gostaria de ter uma conversa com o Hitler. Ele de um lado da parede e eu bem protegida dele. Gostaria de lhe fazer uma série de perguntas.

Se pudesses ter sido a autora de um livro qual gostarias que tivesse sido e porquê:
Poderia ser a autora da trilogia Cavaleiro de Bronze, da Paulina Simons? Poderia? Poderia?

Gostarias de dizer mais alguma coisa que eu não tenha mencionado?
Posso dizer que tenho duas gatas meio endiabradas? Qualquer escritor que se preze precisa de companheiros misticamente felinos. Chamam-se Joséphine (Josie) e Valentina (Val). Uma tem três meses e a outra um mês e uma semaninha!

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Onde podem descobrir mais coisas sobre ti?
No meu Facebook de autora (https://www.facebook.com/pages/C%C3%A9lia-Correia-Loureiro/219243348139668?fref=ts), no Goodreads (https://www.goodreads.com/author/show/5355571.C_lia_Correia_Loureiro), num dos meus muitos blogues…(http://celiacorreialoureiro.blogspot.pt/, http://levoyageenrose.blogspot.pt/, http://castelos-de-letras.blogspot.pt/) Ou simplesmente enviando-me um e-mail para ccorreialoureiro@gmail.com.

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