Entrevista a Carina Rosa – Autora de “O Intruso”

Recentemente tive a oportunidade de ler “O Intruso”, o primeiro livro da autora Carina Rosa e foi uma surpresa muito agradável. Gostei muito de ler o livro e aconselho a todos os meus leitores a sua leitura.
Conheci a querida autora através da página do Facebook e de imediato quis-lhe fazer uma entrevista para a dar a conhecer a todos os que estiverem interessados. Gostei muito de ler e espero que vocês também gostem muito.

1 – Fala-nos um pouco de ti, de como és e do que mais gostas de fazer.

Sou uma pessoa muito reservada e até um pouco anti-social (risos). Gosto de estar no meu cantinho, na minha escuridão, só eu e a minha folha de papel em branco. Não gosto de muita gente. Não gosto de confusões e gosto de passar despercebida. Costumo dizer que o lado mau de lançar um livro é o mediatismo. É o facto de ser o centro das atenções, que acaba por me tirar um pouco o prazer daquilo que é escrever, de facto. Mas tudo na vida tem um lado menos bom ou com o qual nos identificamos menos. Sei que esse mediatismo é necessário para a promoção de um livro ou de qualquer outra coisa. E portanto são necessários sacrifícios para que possamos concretizar os nossos sonhos.
Adoro escrever e adoro ler. E acho que gostaria muito mais dos meus livros se não soubesse o que ia acontecer. (risos). O Mundo da literatura é um mundo só nosso, em que cada leitor vê a história, os cenários e as personagens à sua maneira. Isso é mágico. É uma experiência única que só acontece nos livros. Sou apaixonada por eles desde que aprendi a ler. Para não dizer viciada. Gosto de todo o tipo de livros, mas principalmente de romances. Acho que podia ter começado a escrever muito mais cedo. Mas penso que me faltava coragem. Sei o que são livros bons e queria conseguir escrever um livro bom. Só não acreditava que o conseguisse. Desta vez, não desisti, fui em frente e consegui terminar aquilo que para mim era um sonho. Acho que o mais importante é tentar. Se não tentarmos, nunca saberemos o que poderia ter sido.
Gosto de fazer ginástica. Neste momento, para além de ser jornalista, dou aulas de Ginástica Acrobática. É também uma paixão desde os meus seis anos de idade, quando iniciei a actividade. Na verdade, aos 18 anos cheguei a integrar a Selecção Nacional de Trampolins e Desportos Acrobáticos. Pode parecer que não tem nada a ver um desporto com a arte de escrever, mas na minha opinião, tem. Quando um atleta faz alta competição, vive com as sensações e os sentimentos à flor da pele. É muita ansiedade, é muita adrenalina, é muita pressão. Quem já esteve num campeonato do Mundo ou num campeonato da Europa, sabe do que falo. E para mim, tudo aquilo que eu vivi na competição, ajuda-me a escrever, porque senti muita coisa e muitos desses sentimentos consigo transpô-los para as personagens, independentemente da sua personalidade.
Adoro música e adoro dançar. Tenho pena de não ter mais tempo para me dedicar à dança. Na verdade, tudo aquilo que seja relacionado com cultura e arte, é comigo. (risos).
Mais a nível de lazer, adoro cinema e viajar para locais que nunca conheci.

2 – Tens uma rotina de escrita e um horário favorito?

Não tenho uma rotina de escrita, nem um horário favorito. Na verdade, todos os horários seriam favoritos para mim. O único problema é a falta de tempo. Sempre que posso, escrevo, mas é aos fins-de-semana que consigo adiantar mais das minhas obras. E fico irritada quando quero terminar uma obra e não tenho tempo. É interessante que muitas vezes estou a fazer qualquer outra coisa e a pensar simultaneamente nas minhas personagens e no rumo a dar à história. E até posso não ter muito tempo para escrever naquela altura, mas a ideia fica na cabeça. Não gosto de usar caderninhos de apontamentos. A minha mente é a minha maior e melhor ferramenta de trabalho. A informação fica lá e quando vou escrever, lembro-me de tudo. Não gosto de começar a escrever quando tenho pouco tempo, porque quando começo, não consigo parar. É como um filme que se passa na minha cabeça e as palavras vão surgindo. Portanto tenho de ter tempo para continuar o raciocínio. Não gosto de pará-lo a meio. No entanto, acho que é bom ficar alguns dias sem escrever para amadurecer uma ideia. Acho que resulta tudo muito melhor.

3 – Quando começas a escrever já tens tudo planeado ou a história vai surgindo aos poucos?

É uma pergunta interessante, porque neste momento escrevo diferente do que escrevia no passado. Escrevo diferente do que escrevia quando fiz a primeira obra, «0 Intruso». Acho que é um processo de evolução, como em tudo na vida. Vamos sempre melhorando e aperfeiçoando aquilo que fazemos. Quando escrevi a primeira obra, não fazia ideia daquilo que queria, da história que gostaria de ver escrita. Simplesmente comecei a escrever pensamentos aleatórios que me iam surgindo, até que a verdadeira história tomou forma. E só quando percebi a história que queria é que se tornou fácil escrever, porque já sabia que caminho tomar. E portanto esta foi uma história que foi surgindo aos poucos. Na segunda obra que escrevi, também foi assim, embora tivesse logo desde o início um rumo mais definido. No entanto, em tudo aquilo que escrevi depois, não tem sido assim. Sempre que começo, já tenho mais ou menos na minha mente a história que quero, e muitas vezes como gostaria de terminá-la, o que faz com que seja muito mais fácil escrever e mais do que isso, com que dê mais prazer e mais ansiedade para terminar a obra. É claro que à medida que escrevo, a história acaba sempre por me sair ao lado daquilo que eu pretendia, porque os próprios personagens acabam por controlar a história de uma forma impressionante. É como se ganhassem vida, de facto. E eu própria acabo por ficar nas mãos deles. E portanto acabo por escrever uma coisa completamente diferente daquilo que tinha planeado. E até agora, muito melhor.

4 – Fala um pouco do teu livro e de como é que esta história surgiu.

Esta obra foi a mais difícil de escrever até agora, embora seja a mais pequena que já escrevi. Porque quando comecei a escrevê-la, não fazia ideia do que era escrever um livro. Nem fazia ideia de que tinha um estilo próprio, o que também foi muito interessante de descobrir e aperfeiçoar. O tema não me surgiu de imediato. Foi necessário escrever algumas frases aleatórias, sem muito sentido, até que eu pensasse naquilo que eu realmente gostaria de escrever. Comecei a pensar naquilo que mais me fascinava. Fosse em livros, fosse em filmes, fosse numa simples conversa. E acabei por fazer uma junção entre os temas que mais se identificam comigo. O romance e o oculto. Quando me apercebi da história que queria, foi como um click. Uma luz ao fundo do túnel que fez com que começasse a escrever de forma viciante, de tal forma que acabei por terminar a obra no prazo de um mês e meio.
«O Intruso» retrata a história de Sara, uma mulher de 26 anos que vive atormentada por uma tragédia do passado. Uma tragédia que faz com que viva os seus dias atormentada pela vida que deixou para trás. A depressão em que ela se vê envolvida é de tal forma forte que nem se pode considerar que ela viva. Ela apenas sobrevive, apoiada em dois anjos da guarda. Um amigo de quatro patas e uma amiga que ela acaba por reencontrar ao fim de alguns anos e que tenta a todo o custo ajudá-la a superar o passado e a viver o presente. No meio da escuridão, Sara acaba por reencontrar a luz ao conhecer Martim, um homem de 30 anos que lhe parece ser tudo menos desconhecido. A atracção é mútua, mas também perigosa. Apesar desta história ser totalmente fictícia, tem um pouco a ver comigo. E principalmente a Sara. Seja na escuridão e na solidão em que ela se encontra, seja na baixa auto-estima, nos traumas, nos medos, ou nos pensamentos negativos que a assombram. E acima de tudo, acho que é uma história sensível, que toca no coração das pessoas. E penso que retrata temas muito interessantes.

5 – Qual o conselho que dás aos jovens portugueses que tal como tu lutam todos os dias para verem os seus trabalhos publicados?

O conselho que dou é que tentem, porque as coisas boas não acontecem só aos outros. Acho que o ser-humano despreza muito os talentos que tem. O poder que tem nas mãos. Acho que podemos ser todos muito bons. Mas temos de tentar. Temos de dar o passo em frente. Temos de lutar pelos nossos sonhos, porque há por aí muito talento escondido. Falta-nos a todos um pouco de coragem e de auto-estima. Precisamos de acreditar mais em nós mesmos. E acima de tudo, temos de fazer as coisas por nós, não pelos outros. Eu comecei a escrever porque para mim, é um prazer escrever. E comecei a fazê-lo sem pensar nas consequências. Sem pensar em edições ou publicações. Fi-lo apenas por amor à arte e penso que quando as coisas são feitas com amor, não há limites. Tudo é possível. Não há limite para o sonho.

6 – Tens novos projectos em curso?

Sim. Já escrevi mais duas obras, uma delas já avaliada e aprovada por dois amigos de redacção e a quem designo mais recentemente de meus agentes (risos). A outra está ainda em avaliação e neste momento estou a escrever o meu quarto romance. São histórias completamente distintas e é assim que gosto que seja. Não quer dizer que não faça um dia uma trilogia, como já me pediram em relação a esta primeira obra, mas neste momento tenho tantas histórias na mente que gostaria de ver contadas que é-me difícil pensar em continuar a saga. É claro que são obras que gostaria de ver publicadas brevemente, mas penso que isso é um erro. Penso que devo esperar algum tempo até esta primeira obra assentar e ser reconhecida pelos leitores. Já para não dizer que é difícil fazer a divulgação de uma única obra. Portanto quando essa mesma divulgação abrandar, retirarei a obra seguinte do esconderijo.

7 – E agora a pergunta da praxe: o que acha do blogue Mil estrelas no colo?

Conheci o blog Mil Estrelas no Colo recentemente, através de um outro blog que me fez uma entrevista. Fiquei agradavelmente impressionada pela quantidade de obras divulgadas, pela qualidade das críticas em relação a essas mesmas obras e pelos passatempos constantes. Não fazia ideia de que existiam tantos passatempos neste Mundo da literatura em que estou agora a dar os primeiros passos. Penso que é excelente para promover as obras, os autores, principalmente novos autores, e acima de tudo, incentivar à leitura numa geração em que as novas tecnologias tentam a todo o custo destruir o papel e o prazer que é folhear cada capítulo de uma obra. As críticas às obras e as entrevistas aos autores são também um bom incentivo para quem nunca leu os livros mencionados. O site é agradável à vista, em termos visuais, para além de ser funcional e bem organizado. A página que o blog tem no facebook também é uma excelente ideia para promover o site e as obras. Os meus parabéns a toda a equipa que colabora activamente neste blog.

Para finalizar umas perguntas rápidas:
Livro: Refúgio, de Nora Roberts
Autor: Nicholas Sparks
Actriz: Rachel Mcadams
Filme: Diário de uma paixão – The Notebook
Um dia especial: Natal
Um desejo: Ter muita saúde, ser feliz e se possível vender muitos livros (risos). Acho que já foram desejos a mais

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